segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Escotofobia

Tento me equilibrar
As pernas titubeiam
Ouço a voz distante
O assobio que vem de dentro.
Assombro que desperta medo
Medo que exprime calafrio
Arrepio dorsal e de avantesma
Temor colossal que horripila.
Dia qualquer em quaresma
Noite quente e alma gélida
Apago o candelabro de prata
Breu; úmido soturno que maltrata.
Enfim a luz em feixes retorna
É o dia com esplendor e glória
O assombro se vai agora
Mas deixa cunhado que logo retorna.

Os poetas

Os poetas são verdadeiros sofredores!
Afinal, quem se mete em poesia sem ter um dia sofrido?
São seres extremamente sensíveis
E ao mesmo tempo indecisos e indecifráveis.
São pessoas que amam ao extremo
Mas que, porventura, sempre se traem.
Se traem porque não se revestem de frieza
Sucumbem a qualquer fécula de beleza
Apaixonam-se com total franqueza
Depois se perdem no labiríntico mundo das palavras
Para tentar explicar o mal e o bem do amor.
São seres longe de serem imaculados
São pessoas que lutam pelo regozijo
Mas cedem à dor do sofrível passado.
Mas o que seria da vida sem poesia?
O que seria dos poetas sem a apatia?
Seria uma vida sem discutir o amor
Seria o amor sem a vida e sem o rumor
Sem a forma de verso e prosa
Sem o acalanto de joguetes de versículos
No passar lento do dia-a-dia.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

É nos teus olhos

É nos teus olhos que quero descobrir a vida
É nos teus olhos que quero perder meu juízo
É nos teus olhos que quero encontrar o brilho
É nos teus olhos que quero doar-me a aprazia.
É nos teus olhos que verei refletir o amor
É nos teus olhos que me refugio da angústia
É nos teus olhos que acharei o imprevisível
É nos teus olhos que serei um menino.
É nos teus olhos onde quero estar
É nos teus olhos onde preciso estar
É nos teus olhos onde dormirei tranqüilo
É nos teus olhos onde farei o meu ninho.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Sublime amor

Me faça ser grato de viver
Me faça sentir o amor outra vez
Arrebata-me para longe daqui
E me ensina outra forma de sorrir.

Cause em mim enorme alegria
Tire de mim com beijos a agonia
Lute por mim com todas as armas
Faça de meus braços a sua armada.

Lança teus olhos em direção aos meus
Faça de mim um nobre plebeu
Cative meus sonhos na redoma dos teus
Conte para mim seus versos em ateneu.

Me pegue com carinho em seu colo
Me conte entre sorrisos seus sonhos
Me beije com voraz encanto
E faça de mim seu homem.

Renascer do dia

Desabrochar lento de pétala
Veios de chuva correndo em calha
Gotícula pura de orvalho
Cheiro de mato molhado.
Deixamos passar sem perceber
As coisas comuns de cada novo amanhecer.
Não devemos deixar o tempo passar
Mas sim maravilharmos com cada nova revoada
Com o balançar de galhos emurchecidos
Ou sentir a brisa leve a soprar no ouvido.
E apreciar de novo o desabrochar
Depois da chuva na calha
E do vaporoso orvalho no ar.

Mudança

Enfim, casa nova
Mudança de novo na minha vida
Não é bem uma mudança de vida
Mas que algo muda, ah, isso muda
Sete vezes mudei de casa
Sete esperanças se renovando a cada canto
E o engraçado, me mudei no dia sete
Para um apartamento de número sete
Localizado no sétimo andar
De um edifício de número cento e sete.
Novos vizinhos e regras a serem cumpridas
Novas metas de rumo e estratégias de vida
Sete, dezessete, setenta e sete coisas mudaram nesses tempos
Mas a minha essência não mudou
E essa nunca mudará por nada nem ninguém.
Pois por mais que eu mude em muito
De casa, de cidade, de condomínio
A minha cara, a minha barriga
Meus cabelos que caem e as coisas no mundo
Nunca mudarei quem sou
Enfim, casa nova
Mas a mesma essência, o mesmo amor.

Vida Liliputi

Eu ando sozinho
Porque sozinho quero estar.
Eu bebo do vinho
Porque quero me embriagar.
Eu passo frio
Porque não tenho quem me agasalhar.
Eu falo baixinho
Porque não tem ninguém para me escutar.
Eu amo sozinho
Porque não deixo de amar.

Apenas vivendo

Sinto como se uma força estranha tivesse me sugado
Uma fraqueza terrível abate meu corpo cansado
Mal de amor, seria o que me acomete?
Talvez fosse apenas uma mera desilusão
Ou seria a mente já cansada desse longo embate?
Não sei: simplesmente não sei o que dizer!
As palavras me fogem à boca como refugo
Os pensamentos, deveras longínquos, subsumem
Os sentimentos, antes aflorados, agora sucumbem
Data vênia, o que não me queda me apraz
Diante desta situação de guerra voraz.
Vejo os laços da vida se esvaecendo em cacos
Espalhados pelo chão como limbos escassos.
E assim vivemos: reconstruir, reagrupar, recomeçar...
Entre sorte e revés vamos nos precipitar à vida
Carregando nos ombros uma carga deveras pesada
Imbuídos de uma coragem quotidiana descomunal
Nesse círculo vicioso buscando apenas uma saída.

Solidão

Esse dia parece que não vai ter fim
Os olhos já estão inchados e vermelhos
O corpo não responde mais devido o cansaço
Sinto a fraqueza roendo meus ossos como hienas
Devorando qualquer sombra de lucidez
A respiração que antes ofegava
Agora se torna escassa em intermitentes soluços
Com o pouco de força que ainda tinha
Olhou ao redor procurando um abrigo
Mas não viu nada ao seu lado
Não havia sequer uma alma por ali
Era somente ele consigo mesmo
Sua dor, sua solidão, seus pesadelos
Solidão no ar, solidão no peito

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Quando estou sozinho

Quando estou sozinho
Sinto minha respiração em todos os tons
E isso é bom, porque me faz pensar.
Quando estou sozinho
Demoro a me entregar ao sono
E isso é bom, porque me faz pensar.
Quando estou sozinho
Costumo divagar acordado em sonhos
E isso é bom, porque me faz pensar.
Quando estou sozinho
Sinto-me muito estranho, e isso não é bom
Acho que de tanto pensar, pensar...
Quando estou sozinho
De tanto ponderar enfim concluo
Que sozinho eu não quero mais estar.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Dãnnnnn

Se você quer sorrir, é com o Patati...
Se você quer brincar, é com o Patatá...
Se você quer sorrir, brincar...
Patati Patatá.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O esconderijo perfeito

Subitamente me sinto novamente corrompido
A mesma coisa retorna do poço escuro
E sussurra em meu ouvido.

É a angústia de algo que foi perdido
Uma inocência levada a passos largos
Para um canto qualquer no destino.

Absorto em meus pensamentos
Declamo aos ventos o que não sinto
Para tentar dissimular meu sofrimento.

Quisera poder ter o desplante de poder falar
Ou quem sabe também poder cantar
Minha dor dilacerante no peito.

Deixar quedar esta máscara fraca
Que disfarça o elevado medo
De me entregar novamente ao desejo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Seu casamento

Não sou eu quem vai te levar pro altar
Não são meus votos de amor que vão lhe fazer chorar
Enquanto ali, no sagrado lar de Deus
O santo Padre sacramentar o enlace teu.

Queria ser o altivo e sublime amado
No púlpito por anjos vigiado a chorar
Deslumbrado com tamanha beleza cativada
No seu lindo rosto com adornos enfeitado.

Não foi assim que o santíssimo quis ser
Não foi isso que plantei para depois colher
Agora, à distância me silencio apenas comigo
E me debulho em lágrimas no quarto escondido.

Que todas as bênçãos lhe sejam madrinhas
Que todos os motivos de sorrir lhe apadrinhem
E que a felicidade esteja em seu lar
Mas que a lembrança de mim nunca lhe possa faltar.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Antro na alma

Por que este alguém me importuna?
Por que dependo tanto desta vã tecnologia?
Desatinos na madrugada, dia-a-dia nesta agonia
Agora anseio que tudo se silencie.

Quero ouvir o grito de amor
Quero abafar o grito com meu desejo
Gritando intenso dentro de si
O poeta acompanha a solidão taciturna.

Sem viva alma, a noite caminha silenciosa
O poeta grita, o poema chora
O tempo passa pensativo
Enquanto a alma implora.

(by: Petronio Zambrotti & Isabella)

O amigo fiel

Não quero lamentos de um passado remoto
Não quero infortúnios em um futuro insólito
Aceito a felicidade golpear alentado minha porta
Conquanto me faça ser-lhe grato nesta hora.

As surpresas da vida às vezes podem se apresentar
No afago de um amigo que acabamos de ver
Seja diante do descaso, na ausência de um abrigo
É nessa bastilha imaculada que fugimos do frio.

As realidades delirantes querem se fundir
Dando cargo ao elo evidenciado
E na minha alma a expiação dessa lacuna
Que me envolve no intervalo oculto.

Seu rosto era uma máscara estranha
Penetrando minha alma já divorciada
Das minhas angústias me fez caminhar além da fantasia
Me fazendo sentir absurdo e às vezes absorto.

(by: Petronio Zambrotti e Isabella)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Balança da vida

A balança pende para o lado
Peso de papel e peso adornado
Tudo depende do que você aprende
Mas com peso ela sempre pende.

Posso ousar equilibrar o peso nela
Mas esta balança da vida não é certa
Ela sempre penderá mais aclive
Para o lado que mais bajule ela.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Romance fugaz

Rasante olhar farejante
À procura insólita margeante
Caçando da luz às sombras
A figura da alma que encanta.

Encanto de mulher misteriosa
Que deixa o rastro em pouca prosa
Balança e aguça minha mente
Inebriada por seus lábios silentes.

É nela que deposito a esperança
De viver o ardente romance
Onde meu corpo suado descansa
Depois do embalo de uma dança.

Logo depós, deitados na cama
Quero vertê-la em meus braços firmes
Suavemente trazê-la à calma
Enquanto o júbilo irrompe arribe.

C'est la vie

Quero apenas sorrir
Quero apenas amar
Quero sair por aí
Quero ir de bar em bar.

Quero uma legião de amigos
Quero ser deles querido
Quero ver neles um abrigo
Quero tê-los sempre comigo.

Quero dizer “eu te amo”
Quero ouvir “eu te amo”
Quero deitar em um colo
Quero abraços fogosos.

Quero escrever mais um pouco
Quero ser curto e grosso
Quero ouvir sem ter grito
Quero que ouçam o que digo.

Quero ser simples
Quero ser belo
Quero tudo que tenho
Quero estar sempre certo.

domingo, 22 de novembro de 2009

O amor me abandonou

O amor me abandonou
Logo eu que lhe fui tão devoto
Levou de mim o calor e a alegria
E me deixou de olhos marejados na apatia.

Não consigo entender por que me abandonou
Se alguém sabe o motivo, por favor, me ajude
O que não quero é essa ausência do sorrir
E esse soturno frívolo no ar.

Fiz tudo o que pude
Travei batalhas com virtude
Mas nada adiantou
Porque o amor me abandonou.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Minha mulher

Em um pequeno ranchinho de tapera
Ou quem sabe em um canto qualquer
Era tão somente isso que precisava
Ao lado de ti mulher.

Não te quero somente por luxo
Não te quero somente por ter
Quero-te, oh minha amada
Ao meu lado como minha mulher.

Não pra suprir em mim a angústia
Ou quem sabe pra delícias cozer
Mas para tê-la sempre ao meu lado
Como minha adorada mulher.

De noite, ao som dos grilos
Debaixo do cobertor com os pés frios
Não quero deixar de olhar em teus olhos
E pra sempre abismado
Admirar-te por ser a minha mulher.

Nêga Maria

Júri formado
Salão apinhado
Promotor, Juiz, Advogado.

O magistrado com a veste apropriada
Estufa o peito como se fosse um rei orgulhoso, altivo
Anuncia o silêncio
A sessão se inicia.

Dois guardas entram pela porta lateral
Trazendo uma negra velha maltrapilha
Cabelos brancos, olhar perdido, rosto enrugado
Humildemente diz: “Eu sou Nêga Maria”!

Disse o promotor: Esta senhora está sendo acusada
De ter roubado um pão na padaria
Que mundo é este em que vivemos
Onde nem para os velhos a Lei tem mais valia?

A ré cabisbaixa tudo ouve, levanta o rosto
Soluçando em nostalgia
- Passo fome, seu “dotô”, passo fome
O sinhô no meu lugá guentaria?

Fui parida numa fazenda de café
Já menina começou a minha lida
Trabaiei na casa grande da fazenda
Fui babá das criança que nascia.

Dispôis casei cum Zé lavradô
Tivemu muito fio, qui alegria!
Amamentava us meu fio, seu dotô
E us fio da Sinhá que leite num tinha.

E o tempo foi passando, foi passando
A casa grande foi perdendo o brio
Tudo acabô em nada, seu dotô
Sô farrapo de gente, passo frio.

O juiz incisivo fitou a ré
E já meio ansioso, faz a pergunta:
- Qual era o nome de seu patrão mulher?
Ela responde: João Leopoldo Siqueira
Casado com Sinhá Darva de Oliveira
Tiveram cinco anjinhos, que beleza!

O juiz meio atordoado
Não querendo lembrar o passado
Pigarreia triste lembrança
Ela, numa inocência de criança
Levanta o rosto e um olhar triste lança
Pergunta-lhe: Qual o seu nome, seu dotô?

-Chamo-me Dr. Raimundo Siqueira
Nascido na Fazenda da Limeira
Estudei na capital e aqui estou.

Ela se levanta aturdida
Solta a voz rouca, quase sumida
Abre a roupa, num misto de alegria e dor
Mostra-lhe os seios já emurchecidos
E, quase sem sentido, diz:
- Fio, foi este peito que te amamentou!

O juiz se levanta perplexo
Enlaça a velhinha num grande amplexo
E deixa o salão sem nada dizer.

Jesus, que tudo assiste, os abençoa
Em sua benevolência, tudo perdoa
E faz Nêga Maria renascer.

E lá no céu luminoso
Deus deixou de franzir as sobrancelhas
E no peito de Nêga Maria
Surgiram radiosas, duas rosas vermelhas.

(Homenagem “in memoriam” à amada Vovó Mariinha pelo belíssimo texto)

Outra vez

Outra vez o mesmo sonho me toma
Aquela velha angústia me faz prisioneiro
Cercando tudo ao meu redor
Como se fosse uma redoma.

Procuro ajuda nos amigos
Concentro-me mais ainda no perigo
Estendo minhas mãos à procura de colo
Antes que o desespero se transforme em ódio.

Agora, cansado dessa luta desarmada
Sinto minh’alma vazia e cansada
Como se fosse um colibri sem suas asas
Que não tem mais um amor, que não tem mais nada.

Ópio

Ponto luminoso no céu
Fogo de palavras em cordel
Dentes serrilhados nos lábios
Sela para cavalo alado.

Capacete para vôo lunar
Fumaça para fazer voar
Calçados de couro de gato
Pincéis de crina de cavalo.

Vende-se tudo o que quiser
Aqui você encontra o que quer
Seja uma viagem autista
Ou loucuras de velhos artistas.

Mas para isso, senhores
Basta você se entregar
Despir-se da caretice da vida
Para poder recostar e viajar: fora do ar!

Advogado

Advogado ou, no latim, “o que foi chamado”
Carreira de sonhos e embates
Por vezes, renome de desgosto e calotes
Repercutido pelo ardoroso trabalho de argumentar.

Não se iluda, nobre colega
Reverberando a rubrica de má fama
Pois para se abraçar a causa defendida
É preciso primeiro deitar na cama.

Então não digas o que não sabes
Pois “para falar” o advogado te basta
Quando se virdes extremamente encurralado
Por uma atitude tomada por ti de um jeito insensato.

Agora sim, companheiro cliente
Enxergas o quanto fordes insolente
Ao prolatar por aí a desnecessidade do causídico
Quando em dificuldades, somente a ele, socorro pediste.

(homenagem aos colegas Advogados)

Questio

Quem é que quer passar por isso?
Ser tratado como um qualquer
Ser tratado como um lixo.

Quem é que quer ser homenageado?
Quando no dia-a-dia o mundo
Somente o faz ser subjugado.

Quem é que espera sentado o perdão?
Se quando a chance lhe vem
Prefere estar na contramão.

Quem é que busca o que é possível?
Se relembrando o passado
Somos prisioneiros do intangível.

Quem é que quer ser o que é?
Ser um homem que vive sua vida
Tendo em cada porto uma mulher.

Quem aqui procura a solução?
Se a cada passo estragado
Aproxima-se mais e mais a solidão.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Exórdio da vida

Procure abrir as janelas de sua alma
Verás que atrás das portinholas existe luz
Existe um mundo melhor cheio de cores
Onde o infinito é tocado e o céu é um parque
Onde se pode andar livremente.
Abrace o amor com a força da esperança
Levante seus olhos e acredite com fé
Intente suas projeções naquilo que realmente quer
E a vida lhe dará o sorriso que sempre almejou.
Não lhe custa nada tentar
Não lhe custa nada sorrir
Viver um dia de cada vez
Mas com a certeza de que o dia não tem fim
E que o doce sabor da recompensa virá.

Forte acima de tudo

Apesar de cego, meus passos ainda são firmes
Apesar de surdo, entendo tudo que dizes
Já não tenho mais minha língua afiada
Para falar o que penso
Já não sinto paladar em nada
Daquilo que experimento.

Apesar de leigo, aprendi fácil a viver
Apesar de mudo, grito alto para dizer
Não sigo cabisbaixo pelos cantos
Não caibo em palavras
E nem mesmo caio em prantos.

Sigo forte, acima de tudo e de todos
Arredio e alerte andando sobre os escombros
Não queira me entender quando digo
Que sou forte, meu amigo
Forte, acima de tudo.

Luxúria

Atos descompassados, palavras desagrupadas
Movimentos desordenados, olhares apavorados
Coração palpitante em galopeio
Sudorese incessante escorrendo em veios
Palpitações, mais palpitações...
A espera do alívio assaz prazeroso
As horas se calam, a alma em rebordosa
Enfim, o que tanto esperava, se vê
Aponta-se abruptamente do horizonte
Primeiro em uma silhueta delicada
Depós em traços firmes e belos
A figura por quem esperava: a mulher amada!
Alívio, enfim o prometido alívio
Depois de um beijo longo
Depois de carícias e palpadas
O regozijo de uma luxúria suada.

Um dia

Vai chegar um dia em que nada escreverei
Será que alguém vai sentir falta do que escrevo?
Aliás, nem sei bem por que me importa essa conclusão?
Pois quando escrevo faço das palavras um desabafo
Alvejo tudo que quero por meio delas
Sem que sinta remorso ou dó do que possa afetar.
Não escrevo para agradar a ninguém
Escrevo porque posso aqui me expressar
Dizer o que sinto, penso, concluo
Sem me importar com os dogmas que me incutiram.
Mas também não vou negar que é bom saber
Que alguém em algum lugar lê e se identifica com isso
É a expressão máxima da intensa troca
Entre interlocutor e receptor numa sinalágma
Onde a troca possa gerar amor ou ódio
Que possa despertar curiosidade ou indiferença
Mas que seja capaz de fazer pensar
Ou, simplesmente, que seja lido
Mas que nunca, nunca mesmo
Consiga passar despercebido.

O feitiço

Enfeitiçado por ti
É assim que me sinto todos os dias quando acordo
Em minha embaçada visão da manhã
Ou na penumbra frívola do anoitecer
A sua imagem resplandece sem fim
O seu feitiço eu não sei qual é
Talvez nem mesmo eu queira saber
Mas que é bom por ti assim estar
Ah sim, isso eu posso dizer.

O pequeno Rei

Pobre menino que brinca sozinho
Que passa os dias criando seus castelos
Que fica na porta rodeando a esperança
Querendo ser um rei de seu mundo
Mas não tem no mundo real ninguém ao seu redor.
Jogava pedras nas paredes fingindo ruir
Fazia frotas de aviões de papel
Pra defender em redomas fortalezas
Assobiava aos ventos cantigas de roda
Para cirandar sem um par
E deixava barquinhos na maré das chuvas
Enquanto fitava a descida dos barcos nas águas.
Você pode pensar que falo sobre a dor de ser só
Mas na verdade ele fez seu mundo
E nesse mundo não havia solidão
Apenas seu barquinho e seu avião.

Insone tormento

Insone tormento jaza no leito
Doloroso lamento que trago no peito
Minha mente palpita, já não guarda o anseio
O vazio que dita o que se esconde no meio seio.

Nostalgia da vida de outrora
De deleitar-me no âmago desejo
Sublimar-me às lascívias da carne
Naquele lugar profano que já não vejo.

Saudade! Antes palavra, agora companhia
Trago obturando a mente enorme agonia
Não vem na forma de um pensamento
Mas com suas vestes imponentes e cabelos ao vento.

Oh maldita saudade, por que fazes assim?
O que queres ao me abduzir assim?
Não me deixarei arrebatar desta forma
Vencerei a ti e regozijarei na glória.

E na esteira desta vida já surrada
Hora caminhos verdes, hora desertada
Encontrarei em um sorriso o abrigo perfeito
Um alguém e um lugar que afague meu peito.

O casamento

Venho declamar aos pés dessa arandela
Com voz terna, impetuosa e singela
O amor magnânimo e primoroso de outrora
Que no peito, aflitivamente, sempre nutri por ela.

Espero um dia tê-la como minha senhora
Levá-la na casa de Santo Cristo sagrada
Sacramentar com nossa áurea aliança anelar
O amor, diante de todos, no santificado altar.

Padrinhos de afeto, não irão nos faltar
Casinha singela no mato servirá para nos guardar
Lugar de sapé ou, quiçá, alvenaria serviria
Pois com todo teu amor, nada me faltaria.

Na caminhada tortuosa dessa nossa jornada
Dias alegres ou em dias em sublime invernada
Nada irá me abater ou causar voraz temor
Pois sei que em ti, oh amada, regozijarei o pudico amor.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Pura'mor

Abrolha em mim um sentimento antes esquecido
Toma o peito velozmente e resante como um grito
Antes de aflorar em palavras e gestos
Avança rasgando os sentidos pleno, irracional e certo.

Nunca vi tamanha força me abater
Como em passos largos tomado ao escuro
Precipita-se ao poço da incerteza
Na busca incessante de bons augúrios.

Em certas horas largado à frieza
E noutros tomado de alegria e certeza
Sorridente e altivo: semiimbecil
Na cama um adulto, mas nos olhos infantil.

Cata ser racional, mas vê que é impossivel
Chorar, sorrir, cantar, e muitas vezes esbravejar
São alguns dos sintomas que se tornam nítidos
No peito daquele que só faz lutar.

Não falo de dor, nem mesmo de casta esperança
Falo da mistura de tudo numa mesma dança
Que não busca abastança, quiçá um reles favor
Apenas falo, mais uma vez, do mais puro amor.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Anseio de colo

Assaz prazer que consome minha virtude
Em forma sinuosa, visual em costumes
Volume adequadamente primoroso
Opaca o translúcido consciente: nebuloso.

Admirar-te já não basta aos olhos
Querer tocar subsume aos anseios
Respeito que outrora bastava
Agora cega em desejo que avassala.

Rodeado em teces de fina estampa
Ali se esconde o âmago da ama
Lugar onde o néctar é primoroso
Donde repousa silente o sorriso jocoso.

Tentar repor a consciência há muito perdida
É luta vã de barricada rompida
Pois não se luta contra o pressente desejo
Outrossim, me adjudico no calor do teu seio.

Inexorável

Não me deixo dobrar por rogos ou súplicas
Sigo em frente: reto, austero, severo
Sem evitar transpor as dúvidas.

Não divido a minha opinião com servos
Nem discuto a dogmática da vida com o clero
Apenas sigo em frente: reto, austero e severo.

Inexoravelmente é como vivo
Nunca esmoreço diante do abismo
Apenas seguindo adiante: inexorável e altivo.

Menina mulher

Suave, ingênuo, sublime
O que mais poderia dizer-te, oh mulher
Do encanto que em mim despertas?
Se diante de ti me faltam palavras
Quando sugado pelo verde de teus olhos
Sinto-me o mais iluminado dos homens
Desbravando teus sonhos e segredos!
Deixando escorrer em teu corpo meu cheiro
E no regozijo final eu percebo
Que diante de mim não há somente a mulher
Mas a palavra guerreira em verbo tornada
Que no dia-a-dia da sua jornada
Não deixa de lado o seu jeito moleca
Com marfim no sorriso e singelos elogios
Que me recebem como seu homem
E faz de mim seu eterno noviço.
Novato nesta altiva aventura
Que é estar em teus braços
Descobrindo a vida
Recompondo o meu cansaço
Meu amor, menina e mulher.

O mar

O mar... oh, sagrado mar
Por anos a fio muitos te apreciam
De poetas trovadores a navegantes sonhadores
De casais apaixonados a músicos inspirados
Todos observando suas intempéries
O vai e vem de suas ondas
Hora dócil, hora em verdadeira tormenta.
Alheio a tudo isso que inspira
Assim vive o mar a sua rotina
Durante milênios apenas a ondular
Uma onda aqui... uma calmaria acolá...
Mas convenhamos, ser misterioso
Por mais que se faça de surdo ou ausente
Tens também tu, um ponto fraco
Pois teu vai e vem de ondas intermitentes
Tua ressaca ou calmaria noturna
Entregam que tu, ancestral mar
Assim como os amantes inspirados
E os poetas navegadores admirados
És de paixão atraído diariamente pela lua
A quem devotas a fascinação sem poder tocar.

Perfil

Sou a essência de mim mesmo
Sem o antídoto do medo
Sou princípio e meio
Porque o fim não anseio.

Sou amigo e parceiro
Não abandono no erro
Sou um caso difícil
Mas ainda me insisto.

Sou aquele que você vê
Sou também o que em tudo crê
Sou apaixonado, sou amargo
Porque sou dos humanos um fraco.

Sou, sou, apenas sou
E continuarei sendo enquanto viver
Porque não quero nada saber
Quero apenas na vida: ser!

Quando a dor não basta

Vazio no peito, buraco na alma
Labirinto espinhoso em teus olhos
Assombra e escurece a calma.

Não há ali o abrigo que procuras
Não existe no sinuoso logradouro
A luz que com a busca coaduna.

Silencio dentro do mais longo silêncio
Precipito a morte galopante
Para acalmar o dor rompante.

Aproveito o tempo que me sobra
Relendo cartas e memórias póstumas
No sombrio passado de outrora.

Porque enfim aprendi, deveras tarde
Que quando a dor não basta
Não há nada no peito que a abafe.

E ela não basta, apenas se afasta.

Caminhar

Se estou no caminho certo, ainda não sei
Apenas sei que arrumei um caminho
E pra quem estava por aí, perdido e sem direção
Isso é, sem dúvidas, uma grande vantagem.
Saber por onde caminhar é sempre o começo
Mas quando lhe falta a sabedoria do caminho
Caminhar, caminhar; é o que basta, o que necessito!
O estático te suga, te seca, te mata.
Então, avante esbelto infante!
Caminha por onde andas certeiro
E se ao final não for o que procuras
Aceite e regresse o caminho inteiro.

A moça

Moça, por favor, não faças isso
Não incite assim meus instintos
Passando a bailar no salão florido
Com seu pregado e curto vestido.
Capaz me torna de adornar-te
Com brilhantes e jóias
Para ver-te reluzente
A passear por entre as fulanas.
Causar sanha com sua estonteante beleza
É de longe o menor de seus encantos
Pois, além do corpo escultural,
Guarda em si matricial singeleza.
E neste caminhar sereno e candente
Que ofega de meganhas a mortais
Atravessa do salão às ruas sinuosas
Entorpecendo meus sonhos assaz fogosos.
Então venha do seu jeito e faça
Lance diante de mim seu sorriso de brasa
Reluzente e altamente cativante
Arrebatando-me daqui para bem longe.

Onde está o amor?

Onde está o amor
Que dentro de mim morava?
Até parece uma flor
Hora desabrocha, hora se acaba.

Saudades tenho desse amor
Que com pinceladas de cor
Chegava bem de mansinho
Saltitante, eufórico e sorrindo.

No peito, não guardo mais mágoa
Sequer me lembro o que é rancor
Fruto da memória doce e sagrada
Daquele puro e sincero amor.

Pontilhão

Do outro lado desta ponte
Existe e bate um coração partido
Fico ali parado, por horas olhando
Mas quando vem a coragem de atravessar: desvio!

Pequenas pistas do que seria a felicidade
Eu encontrei no caminho até a ponte
Sorrisos francos e abraços fogosos
Que agora, do outro lado, eu vejo de longe.

Não me atrevo mesmo a tentar atravessar
Por mais que eu perca o sono a pensar no futuro
Se passo a passo eu ousasse tentar
Um passo certeiro ou, quiçá, um tiro no escuro.

Soneto da esperança

Oh esperança, há muito sou fiel à ti
Por que agora, a esta altura, foges tu de mim?
Por vezes, na árdua caminhada, senti-me sozinho
Por vezes, na longa invernada, chorei por carinho
Mas não, em momento algum, esperança
Lancei-a para longe de mim
Pois aprendi, nessa minha vida de andança
O velho ditado que ouço desde criança
Que tudo na vida nasce, cresce e falece
Mas nunca morre a esperança.

Bom dia

Experimente olhar no espelho todas as manhãs
E ficar por alguns instantes admirando a si mesmo
Vais ver que além do que os outros vêem
Existe um alguém que você conhece muito bem
Cheio de luz, vida e alegria de viver
Não se importe com o que dizem ou pensam de ti
Apenas se olhe no espelho e abra um belo sorriso
Pois se quando alguém lhe sorri já te faz bem
Imagine diante de ti o que teu sorriso pode lhe fazer?
Exalte a eterna alegria de viver
Contemple cada dia como se fosse o último
Não se esqueça de dizer que ama tua família
E dê total valor a seus fiéis e escudeiros amigos
Seja no momento de glória
Ou na suprema tristeza que venha abater
É nesses dois que você encontra segurança
E o porto seguro para sua proteção
E acalmar de vez seu coração.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A busca de ti

Não há nada que o tempo não nos faça suportar
Não há sombra que não nos possa acalantar
Na vida, o afã maior de viver é querer a paz
Mas nos jogamos de cabeça no amor voraz.

Amor que nem sempre nos traz alegria suprema
Ou nos faz homens e mulheres serenos
Que por vezes pode nos deixar sem rumo
Cabisbaixos e insólitos... fora do prumo.

Mas a busca é incessante, e você sabe
Que depois de uma queda a gente reage
E acredita com fé cada vez mais
Quando em novos olhos encontra a paz.

O que realmente importa meus queridos
É não deixar de ter fé e se precipitar ao abismo
Devemos sofrer, devemos lutar
Mas nunca, jamais, deixar de amar.

Quando a gente ama

Quando a gente ama, a gente perde a noção
Perdoa traição, ofensa, agressão.
Quando a gente ama, perde os sentidos
Fica cego, mudo, ruim dos ouvidos.
Quando a gente ama, não sabe discernir
Fica em devaneios, vagando por aí.
Quando a gente ama, se entrega em tudo
Caminha de olhos fechados no escuro.
Quando a gente ama, a gente esquece
As dores de outro amor, a saudade, o estresse.
Quando a gente ama, acredita no futuro
Apóia-se um no outro em busca de tudo.
Quando a gente ama, às vezes sofre
Pelo que não foi dito, pela falta de sorte.
Quando a gente, a fé nos abarca
No sorriso franco, no colo da pessoa amada.
Quando a gente ama, a gente declama
Que não basta estar perto, e sim dentro de quem ama.

Ao encontro de Quimera

Passo o tempo diminuto divagando
Em devaneios extremamente insólitos
Buscando novas palavras de amoedo
Enquadrando solução pro imbróglio.

Comissivamente me retribuo
Com o alfa que minh’alma procura
Sigo em frente, não titubeio
Por mais que com o nada coaduna.

Passos largos, discretos e assente
Não obstante a treva da lua soturna
Chego a ser, deveras, o mais insolente
Ao embate do que tanto procuro.

E no encontro da Quimera espreitada
Armado de escudo, lanças e facas
Afronto também o temido Leviatã
Nessa minha hemática e prolixa jornada.

Eu quero...

Palavras para falar
Frases para expressar
Voz para cantar
Fala para lutar.

Tato para tocar
Toque para acalmar
Música para dançar
Dança para suar.

Cheiro para marcar
Essência para alienar
Perfume para adornar
Química para transar.

Visão para vibrar
Olhos para me observar
Delírios para curar
E amores para cuidar.

Altruísta sim é o que sou

Altruísta sim é o que sou
Em troca de nada te dei o meu amor
Entreguei minha vida e meu coração em tuas mãos
E por migalhas me vi feliz com sua cautela.
Altruísta sim é o que sou
Pois sem moeda de troca me joguei de cabeça
Investi meu tempo e minhas esperanças nesse amor
E não cobrei qualquer vintém em permuta
Porque se sorrio ou sofro, é só minha a dor.
Altruísta sim é o que sou
Pois o pouco que tenho é teu
Mas não quero o que tens no teu lar
Nem mesmo saber o que podes me abonar.
Altruísta sim é o que sou
Cada vez que procuro fazer do impossível pra mim
Algo possível e tocável pra ti
E te ver sorrindo diante do abstruso porvir.
Altruísta sim é o que sou
Por amar a mim
Por amar a ti
Sem te cobrar nada em troca
Nem mesmo o amor.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Alguns Aforismos (parte 2)

“Ser leviano não é agir por si e deixar que alguém sofra: é deixar de agir por si para que alguém não sofra!” (Petronio Zambrotti)

“Os olhos dos tolos enxerga o banal enquanto a candura só é visível aos olhares de um coração puro.” (Petronio Zambrotti)

“Penosa e sombria é a lembrança labiríntica daquele que prega e pratica a injustiça.” (Petronio Zambrotti)

“Amar é entregar-se à cegueira na certeza de uma bengala de carne e osso que o suporte e te coloque no caminho.” (Petronio Zambrotti)

“Não corrigir seus erros é tolice. Abandonar suas vontades porque alguém considera um erro é a maior prova de estupidez.” (Petronio Zambrotti)

“Espero o amor chegar enquanto mantenho aceso dentro de mim pequenas brasas de paixão.” (Petronio Zambrotti)

“O amor é um mergulho no escuro com a certeza da paz e da alegria não no que não se vê, e sim no que sabe que vai encontrar.” (Petronio Zambrotti)

“Com uma só palavra eu semeio o amor. Com um só olhar eu destruo tudo ao redor com rancor.” (Petronio Zambrotti)

“A suspeita na boca do maledicente pode se transformar numa certeza injusta.” (Petronio Zambrotti)

“Acessar o inconsciente é a forma mais branda de penitenciar sua natureza animal.” (Petronio Zambrotti)

“Por que querer mudar o mundo se não conseguimos sequer mudar a nós mesmos?” (Petronio Zambrotti)

“Se amar é sofrer, somos todos um bando de loucos auto-penitentes e masoquistas.” (Petronio Zambrotti)

“Ter fé no amor é fundamental ao crescimento espiritual.” (Petronio Zambrotti)

“Quando pensei que não mais amaria. Quando acreditei que a dor não mais iria. Quando clamei por qualquer aprazia. Veio o amor com seu largo sorriso e me tirou da apatia.” (Petronio Zambrotti)

“Eu busco a paz, incessantemente busco a paz. Às vezes ela foge, mas quase sempre daqui ela não sai.” (Petronio Zambrotti)

Alguns aforismos (parte 1)

“Dedique parte do seu dia a cultivar a esperança, pois sem ela não teríamos a certeza do improvável futuro.” (Petronio Zambrotti)

“Quisera poder voltar a ser criança e ser sincero com meu ego sem machucar o coração com a consciência da resposta.” (Petronio Zambrotti)

“Toma tua vida e teus sentimentos em tuas mãos, e aprenderás o valor que tem a vida e o amor de alguém a quem cativas.” (Petronio Zambrotti)

“A arte de interpretar advém da necessidade de fugir, ao menos que por pouco, do que realmente somos.” (Petronio Zambrotti)

“Devemos soberanamente nos amar como se fôssemos a figura do outro encarnada em nós mesmos.” (Petronio Zambrotti)

“Se um dia a tristeza lhe abater, estenda a mão a esta ilustre visita e lhe mostre que nem mesmo ela tem motivos para ser triste.” (Petronio Zambrotti)

“Escrevo não com a linguagem dos eruditos e poetas, mas sim com a linguagem de gente banal que sofre e chora por coisas cotidianas.” (Petronio Zambrotti)

“Ser feliz é estado de consciência com abandono da malícia e negação da penitência.” (Petronio Zambrotti)

“Querer libertar-se da dor de um amor não é o suficiente para consegui-la.” (Petronio Zambrotti)

“A suposta sabedoria dos tolos é conhecimento medíocre vangloriado pela massa cíclica de tolos que nela crêem.” (Petronio Zambrotti)

“A fé move montanhas, mas a ausência da crença mantém tudo em seu devido lugar.” (Petronio Zambrotti)

“Aprendemos que colhemos sempre aquilo que plantamos, porém não nos ensinam que na maioria das vezes só colhemos o que por nós não foi semeado.” (Petronio Zambrotti)

A Princesa e o Plebeu

Eu e você somos uma simbiose perfeita
A dama e o vagabundo
A farofa feita na manteiga
Romance límpido de Romeu e Julieta.
Entrar assim no seu mundo
Descaracterizado que sou
Não me fez agir caricaturado
Mas de simplicidade no amor.
Você, moça bela e de família abastada
Eu, pobre moço da roça de calças rasgadas
Somamos nossas forças em um só pleito
No deleite incessante do desejo.
Desejo que não se traduz apenas em pele
Que faz acordar de manhã e sentir saudade
Saudade do beijo suave e ofegante
Saudade do colo e do almoço de ontem.
Simbiose perfeita entre a princesa e o plebeu
Que de mansinho chegou do arrabalde
Invadiu um dos lares mais finos e elegantes
Para de brusquidão deixar seu coração palpitante.

Universo mulher

Homem, não seja irracional e tão frio assim
Não é bobeira quando tua amada se veste de uma forma melhor
Brilha os olhos ao ver na vitrine o longo que tanto sonhou
Reclama da vida como se o mundo fosse inimigo
Reclama de ti quando tu bebes com um amigo
Sente cólicas todo mês e chora por isso
Reclama do vento, da chuva e do pó em seu cabelo
Te pergunta a todo instante se a amas
Simplesmente porque pra ela você é tudo
E perder você nesse mundo causa medo.
Entenda que quando ela te olha na hora de dormir
É porque o enxergas como o príncipe de seus sonhos.
Que se ela faz a unha ou corta um dedo o cabelo
É simplesmente pra agradar a ti e não a um estranho.
Que ela cuida dos filhos e ao mesmo tempo
Precisa se cuidar com medo de perder seu trono.
Enfim, homem, aprenda de uma vez por todas
Que se ela diz não, é pra dizer sim
E que se ela te ama, é verdadeiro
A lealdade não terá fim.

Viúva Negra

Chega a noite, sombria, quente e silenciosa
Trazendo consigo tão bela e formosa
Uma mulher linda, sensual e enigmática
Com vestes brilhantes ajustado ao corpo dela.

Sua forma escultural, de longe se percebe
Seu perfume inebriante a todos entorpece
Sequer preocupa-se com os olhares admirados
Pois carrega dentro de si a lembrança do amado.

Ignora a todos pelo legado de um amor
Cultiva em seu sorriso o amarelo daquela dor
De que adianta na vida ser tão linda e bela
Se tudo que sempre quis não está mais com ela?

Então, simplesmente, continua linda a caminhar
Com suas curvas belas, mas ausente o brilho no olhar
Procurando em cada canto algo que lhe dê prazer
Ou uma fuga do sombrio desgosto de perder.

E assim, segue a vida sem titubeio
Com suas vestes silhuetas e seu peculiar cheiro
Vivendo cada dia apenas por existir
Esperando, em algum canto, novo amor sem fim.

Águas do Rio Estige

Agora, nesse momento, o banho me faz pensar
Não importa se é água de chuva
Ou encanada em algum lugar
Aqui, nesta hora: pensar, pensar...

Água que lava o corpo e refrigera a alma
Água que me faz matéria, oh, insípida aquosa
Leva de meu corpo as impurezas vans
Purifica tudo que há dentro de mim.

Não quero mais sentir este estupor acre
Não quero mais ser alvo desses abutres
A minha vida deve ser igual a ti, oh água
Pura, cristalina, inodora e rara.

E diante de todos aparecerei mais límpido
Trazendo nos olhos uma suavidade estonteante
E braços fortes e descansados como os de Orfeu
Acalmando o Cérbero ao som de lira fulgente.